Ainda pior que a convicção do não,
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo
que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância
e na frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia",
quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem
até para ser feliz.
A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina,
não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão,
para os fracassos, chance,
para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...
Porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.
Luiz Fernando Veríssimo
terça-feira, 15 de maio de 2007
domingo, 13 de maio de 2007
Os fracos vieram só para cair...
“Estou a exigir muito de si ?
Quem lhe há-de exigir muito senão os seus amigos ? Eles receberam o encargo de o não deixar amolecer e, pela minha parte, tenha você a certeza de que o hei-de cumprir. Você há-de dar tudo o que puder, e mesmo, e sobretudo, o que não puder; porque só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem.
Quando você saltar e saltar bem, eu direi sempre: agora mais alto ! Que me importa que você caia? Os fracos vieram só para cair, mas os fortes vieram para esse tremendo exercício: cair e levantar-se; sorrindo”Agostinho da Silva - Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945]
sábado, 12 de maio de 2007
Abraço é....
Abraço é saudável. Ajuda o sistema imunológico, cura a depressão, reduz o stress e induz o sono. Revigora, rejuvenesce e não tem efeitos colaterais, Abraço é um remédio miraculoso.
Abraço é absolutamente natural. É orgânico, não poluente, naturalmente doce, não contém ingredientes artificiais, é ambientalmente correcto e 100% integral.
Abraço é o presente ideal. Excelente para qualquer ocasião, bom para dar e receber. Demonstra o seu carinho, vem em embalagem própria e certamente, totalmente reutilizável.
Abraço é praticamente perfeito, dispensa pilhas e prestações mensais, é à prova de fogo, de roubo, e isento de impostos.
Abraço é um recurso, pouco explorado, de poderes mágicos. Quando abrimos o coração e os braços, estimulamos os outros a fazerem o mesmo.
Pense nas pessoas da sua vida. Observe as pessoas à sua volta. Que tal compartilhar com elas a magia de um abraço? Está esperando que alguma delas dê o primeiro abraço? Não espere mais! Comece você mesmo!!!
Muito Obrigada à Alberta que me enviou este texto :)
Abraço é absolutamente natural. É orgânico, não poluente, naturalmente doce, não contém ingredientes artificiais, é ambientalmente correcto e 100% integral.
Abraço é o presente ideal. Excelente para qualquer ocasião, bom para dar e receber. Demonstra o seu carinho, vem em embalagem própria e certamente, totalmente reutilizável.
Abraço é praticamente perfeito, dispensa pilhas e prestações mensais, é à prova de fogo, de roubo, e isento de impostos.
Abraço é um recurso, pouco explorado, de poderes mágicos. Quando abrimos o coração e os braços, estimulamos os outros a fazerem o mesmo.
Pense nas pessoas da sua vida. Observe as pessoas à sua volta. Que tal compartilhar com elas a magia de um abraço? Está esperando que alguma delas dê o primeiro abraço? Não espere mais! Comece você mesmo!!!
Muito Obrigada à Alberta que me enviou este texto :)
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Quando me amei de verdade...
Quando me amei de verdade, compreendi que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome:AUTO-ESTIMA
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é...AUTENTICIDADEQuando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de...AMADURECIMENTO
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é...Quando me amei de verdade, comecei a livrar-me de tudo que não fosse saudável: pessoas , tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
RESPEITO
Hoje sei que se chama...
AMOR-PRÓPRIO
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é...
SIMPLICIDADE
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Então descobri a...Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar-me com o futuro. Agora, mantenho-me no presente, que é onde a vida acontece.
HUMILDADE
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é...PLENITUDEQuando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela torna-se uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é....SABER VIVER!(Kim e Alison Mcmillen)
"Não devemos ter medo dos confrontos.
Até as estrelas se chocam e do caos nascem novas estrelas."
terça-feira, 8 de maio de 2007
Mal entendido....
One day, at a bus stop there was a girl who was wearing a skintight miniskirt. When the bus arrived and it was her turn to get on, she realized that her skirt was so tight she couldn't get her foot high enough to reach to step.
Thinking it would give her enough slack to raise her leg, she reached back and unzipped her skirt a little. She still could not reach the step. Embarrassed, she reached back once again to unzip it a little more. Still, she couldn't reach the step.
So, with her skirt zipper halfway down, she reached back and unzipped her skirt all the way. Thinking that she could get on the step now, she lifted up her leg only to realize that she still couldn't reach the step.
So, seeing how embarrassed the girl was, the man standing behind her put his hands around her waist and lifted her up on to the first step of the bus. The girl turned around furiously and said, "How dare you touch my body that way, I don't even know you!"
Shocked, the man says, "Well, ma'am, after you reached around and unzipped my fly three times, I kinda figured that we were friends."
domingo, 6 de maio de 2007
Uma Questão de Marketing
CURSO DE MARKETING FEMININO
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Chegas perto dele e dizes-lhe:
- Sou um fenómeno na cama.
Isto é Marketing Directo.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Um dos teus amigos chega perto dele e diz-lhe:
- Aquela mulher é um fenómeno na cama.
Isto é Publicidade.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Pedes-lhe o número de telemóvel.
No dia seguinte ligas-lhe e dizes:
- Sou um fenómeno na cama.
Isto é Telemarketing.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Tu reconheces este homem.
Chegas mais perto dele, refrescas a sua memória e dizes-lhe:
- Lembras-te como sou fantástica na cama?
Isto é Customer Relationship Management.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Levantas-te,arranjas o vestido, aproximas-te dele e ofereces um
copo.
Dizes-lhe como é bom o seu perfume, dás-lhe os parabéns pela sua
boa aparência, ofereces-lhe um cigarro e dizes-lhe:
-Sou um fenómeno na cama.
Isto é Public Relations.
Estás numa festa
Ele chega perto de ti e diz-te:
- Ouvi por aí que és um fenómeno na cama.
Isto é Branding, o Poder da Marca.
CURSO DE MARKETING MASCULINO:
Estás numa festa e vês uma ganda gaja.
Chegas perto dela e dizes-lhe:
- Sou um fenómeno na cama e resisto toda a noite sem parar.
Isto é Publicidade Enganosa e é punida por lei
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Chegas perto dele e dizes-lhe:
- Sou um fenómeno na cama.
Isto é Marketing Directo.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Um dos teus amigos chega perto dele e diz-lhe:
- Aquela mulher é um fenómeno na cama.
Isto é Publicidade.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Pedes-lhe o número de telemóvel.
No dia seguinte ligas-lhe e dizes:
- Sou um fenómeno na cama.
Isto é Telemarketing.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Tu reconheces este homem.
Chegas mais perto dele, refrescas a sua memória e dizes-lhe:
- Lembras-te como sou fantástica na cama?
Isto é Customer Relationship Management.
Estás numa festa e vês um homem muito fascinante.
Levantas-te,arranjas o vestido, aproximas-te dele e ofereces um
copo.
Dizes-lhe como é bom o seu perfume, dás-lhe os parabéns pela sua
boa aparência, ofereces-lhe um cigarro e dizes-lhe:
-Sou um fenómeno na cama.
Isto é Public Relations.
Estás numa festa
Ele chega perto de ti e diz-te:
- Ouvi por aí que és um fenómeno na cama.
Isto é Branding, o Poder da Marca.
CURSO DE MARKETING MASCULINO:
Estás numa festa e vês uma ganda gaja.
Chegas perto dela e dizes-lhe:
- Sou um fenómeno na cama e resisto toda a noite sem parar.
Isto é Publicidade Enganosa e é punida por lei
sábado, 5 de maio de 2007
Este foi a pensar em ti, Paula...
| Your Seduction Style: Au Natural |
You rank up there with your seduction skills, though you might not know it. That's because you're a natural at seduction. You don't realize your power! The root of your natural seduction power: your innocence and optimism. You're the type of person who happily plays around and creates a unique little world. Little do you know that your personal paradise is so appealing that it sucks people in. You find joy in everything - so is it any surprise that people find joy in you? You bring back the inner child in everyone you meet with your sincere and spontaneous ways. Your childlike (but not childish) behavior also inspires others to care for you. As a result, those who you befriend and date tend to be incredibly loyal to you. |
eu gosto de laranja
| What Your Favorite Color Orange Says About You: |
Joyful --- Enthusiastic --- Optimistic Outgoing --- Accepting --- Confident Loud --- Unruly --- Impulsive |
sexta-feira, 4 de maio de 2007
eu sou uma tosta de queijo!
You Are a Grilled Cheese Sandwich |
You are a traditional person with very simple tastes. In your opinion, the best things in life are free, easy, and fun. You totally go with the flow. And you enjoy every minute of it! Your best friend: The Peanut Butter and Jelly Sandwich Your mortal enemy: The Ham Sandwich |
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Nossos dias melhores nunca virão?
Ando em crise, numa boa, nada de grave. Mas, ando em crise com o tempo. Que estranho "presente" é este que vivemos hoje, correndo sempre por nada, como se o tempo tivesse ficado mais rápido do que a vida, como se nossos músculos, ossos e sangue estivessem correndo atrás de um tempo mais rápido.
As utopias liberais do século 20 diziam que teríamos mais ócio, mais paz com a tecnologia. Acontece que a tecnologia não está aí para distribuir sossego, mas para incrementar competição e produtividade, não só das empresas, mas a produtividade dos humanos, dos corpos. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas, chips, pílulas para tudo.
Temos de funcionar, não de viver. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde? A este mundo ridículo que nos oferecem, para morrermos na busca da ilusão narcisista de que vivemos para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" é reproduzido com perfeição técnica cada vez maior, nos fazendo boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar".
Antes, tínhamos os velhos filmes em preto-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era precário e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, da sucessibilidade de momentos, de começo e fim, ficamos também sem presente, vamos perdendo a noção de nosso desejo, que fica sem sossego, sem noite e sem dia. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção. Não há tempo para os bichos. Se quisermos manhã, dia e noite, temos de ir morar no mato.
Há alguns anos, eu vi um documentário chamado Tigrero, do cineasta finlandês Mika Kaurismaki e do Jim Jarmusch sobre um filme que o Samuel Fuller ia fazer no Brasil, em 1951. Ele veio, na época, e filmou uma aldeia de índios no interior do Mato Grosso. A produção não rolou e, em 92, Samuel Fuller, já com 83 anos, voltou à aldeia e exibiu para os índios o material colorido de 50 anos atrás. E também registrou, hoje, os índios vendo seu passado na tela. Eles nunca tinham visto um filme e o resultado é das coisas mais lindas e assustadoras que já vi.
Eu vi os índios descobrindo o tempo. Eles se viam crianças, viam seus mortos, ainda vivos e dançando. Seus rostos viam um milagre. A partir desse momento, eles passaram a ter passado e futuro. Foram incluídos num decorrer, num "devir" que não havia. Hoje, esses índios estão em trânsito entre algo que foram e algo que nunca serão. O tempo foi uma doença que passamos para eles, como a gripe. E pior: as imagens de 50 anos é que pareciam mostrar o "presente" verdadeiro deles. Eram mais naturais, mais selvagens, mais puros naquela época. Agora, de calção e sandália, pareciam estar numa espécie de "passado" daquele presente. Algo decaiu, piorou, algo involuiu neles.
Lembrando disso, outro dia, fui atrás de velhos filmes de 8mm que meu pai rodou há 50 anos também. Queria ver o meu passado, ver se havia ali alguma chave que explicasse meu presente hoje, que prenunciasse minha identidade ou denunciasse algo que perdi, ou que o Brasil perdeu... Em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco, vi a precariedade de minha pobre família de classe média, tentando exibir uma felicidade familiar que até existia, mas precária, constrangida; e eu ali, menino comprido feito um bambu no vento, já denotando a insegurança que até hoje me alarma. Minha crise de identidade já estava traçada. E não eram imagens de um passado bom que decaiu, como entre os índios. Era um presente atrasado, aquém de si mesmo. A mesma impressão tive ao ver o filme famoso de Orson Welles, It's All True, em que ele mostra o carnaval carioca de 1942 - únicas imagens em cores do País nessa década. Pois bem, dava para ver, nos corpinhos dançantes do carnaval sem som, uma medíocre animação carioca, com pobres baianinhas em tímidos meneios, galãs fraquinhos imitando Clark Gable, uma falta de saúde no ar, uma fragilidade indefesa e ignorante daquele povinho iludido pelos burocratas da capital. Dava para ver ali que, como no filme de minha família, estavam aquém do presente deles, que já faltava muito naquele passado.
Vendo filmes americanos dos anos 40, não sentimos falta de nada. Com suas geladeiras brancas e telefones pretos, tudo já funcionava como hoje. O "hoje" deles é apenas uma decorrência contínua daqueles anos. Mudaram as formas, o corte das roupas, mas eles, no passado, estavam à altura de sua época. A Depressão econômica tinha passado, como um grande trauma, e não aparecia como o nosso subdesenvolvimento endêmico. Para os americanos, o passado estava de acordo com sua época. Em 42, éramos carentes de alguma coisa que não percebíamos. Olhando nosso passado é que vemos como somos atrasados no presente. Nos filmes brasileiros antigos, parece que todos morreram sem conhecer seus melhores dias.
E nós, hoje, nesta infernal transição entre o atraso e uma modernização que não chega nunca? Quando o Brasil vai crescer? Quando cairão afinal os "juros" da vida? Chego a ter inveja das multidões pobres do Islã: aboliram o tempo e vivem na eternidade de seu atraso. Aqui, sem futuro, vivemos nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega que nos assola na moda, no amor, no sexo, nessa fome de aparecer para existir. Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca estar no presente.
Text de Arnaldo Jabor (Brasil)
As utopias liberais do século 20 diziam que teríamos mais ócio, mais paz com a tecnologia. Acontece que a tecnologia não está aí para distribuir sossego, mas para incrementar competição e produtividade, não só das empresas, mas a produtividade dos humanos, dos corpos. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas, chips, pílulas para tudo.
Temos de funcionar, não de viver. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde? A este mundo ridículo que nos oferecem, para morrermos na busca da ilusão narcisista de que vivemos para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" é reproduzido com perfeição técnica cada vez maior, nos fazendo boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar".
Antes, tínhamos os velhos filmes em preto-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era precário e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, da sucessibilidade de momentos, de começo e fim, ficamos também sem presente, vamos perdendo a noção de nosso desejo, que fica sem sossego, sem noite e sem dia. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção. Não há tempo para os bichos. Se quisermos manhã, dia e noite, temos de ir morar no mato.
Há alguns anos, eu vi um documentário chamado Tigrero, do cineasta finlandês Mika Kaurismaki e do Jim Jarmusch sobre um filme que o Samuel Fuller ia fazer no Brasil, em 1951. Ele veio, na época, e filmou uma aldeia de índios no interior do Mato Grosso. A produção não rolou e, em 92, Samuel Fuller, já com 83 anos, voltou à aldeia e exibiu para os índios o material colorido de 50 anos atrás. E também registrou, hoje, os índios vendo seu passado na tela. Eles nunca tinham visto um filme e o resultado é das coisas mais lindas e assustadoras que já vi.
Eu vi os índios descobrindo o tempo. Eles se viam crianças, viam seus mortos, ainda vivos e dançando. Seus rostos viam um milagre. A partir desse momento, eles passaram a ter passado e futuro. Foram incluídos num decorrer, num "devir" que não havia. Hoje, esses índios estão em trânsito entre algo que foram e algo que nunca serão. O tempo foi uma doença que passamos para eles, como a gripe. E pior: as imagens de 50 anos é que pareciam mostrar o "presente" verdadeiro deles. Eram mais naturais, mais selvagens, mais puros naquela época. Agora, de calção e sandália, pareciam estar numa espécie de "passado" daquele presente. Algo decaiu, piorou, algo involuiu neles.
Lembrando disso, outro dia, fui atrás de velhos filmes de 8mm que meu pai rodou há 50 anos também. Queria ver o meu passado, ver se havia ali alguma chave que explicasse meu presente hoje, que prenunciasse minha identidade ou denunciasse algo que perdi, ou que o Brasil perdeu... Em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco, vi a precariedade de minha pobre família de classe média, tentando exibir uma felicidade familiar que até existia, mas precária, constrangida; e eu ali, menino comprido feito um bambu no vento, já denotando a insegurança que até hoje me alarma. Minha crise de identidade já estava traçada. E não eram imagens de um passado bom que decaiu, como entre os índios. Era um presente atrasado, aquém de si mesmo. A mesma impressão tive ao ver o filme famoso de Orson Welles, It's All True, em que ele mostra o carnaval carioca de 1942 - únicas imagens em cores do País nessa década. Pois bem, dava para ver, nos corpinhos dançantes do carnaval sem som, uma medíocre animação carioca, com pobres baianinhas em tímidos meneios, galãs fraquinhos imitando Clark Gable, uma falta de saúde no ar, uma fragilidade indefesa e ignorante daquele povinho iludido pelos burocratas da capital. Dava para ver ali que, como no filme de minha família, estavam aquém do presente deles, que já faltava muito naquele passado.
Vendo filmes americanos dos anos 40, não sentimos falta de nada. Com suas geladeiras brancas e telefones pretos, tudo já funcionava como hoje. O "hoje" deles é apenas uma decorrência contínua daqueles anos. Mudaram as formas, o corte das roupas, mas eles, no passado, estavam à altura de sua época. A Depressão econômica tinha passado, como um grande trauma, e não aparecia como o nosso subdesenvolvimento endêmico. Para os americanos, o passado estava de acordo com sua época. Em 42, éramos carentes de alguma coisa que não percebíamos. Olhando nosso passado é que vemos como somos atrasados no presente. Nos filmes brasileiros antigos, parece que todos morreram sem conhecer seus melhores dias.
E nós, hoje, nesta infernal transição entre o atraso e uma modernização que não chega nunca? Quando o Brasil vai crescer? Quando cairão afinal os "juros" da vida? Chego a ter inveja das multidões pobres do Islã: aboliram o tempo e vivem na eternidade de seu atraso. Aqui, sem futuro, vivemos nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega que nos assola na moda, no amor, no sexo, nessa fome de aparecer para existir. Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca estar no presente.
Text de Arnaldo Jabor (Brasil)
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Definições
SAUDADE é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento representa um capítulo.
ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa.
CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára.
INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista (o filme).
VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.
INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
SENTIMENTO é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração.
FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma.
AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário.
RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele.
PAIXÃO é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.
AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tem explicação, esse negócio de amor não sei explicar.
LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento representa um capítulo.
ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa.
CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára.
INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista (o filme).
VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.
INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
SENTIMENTO é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração.
FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma.
AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário.
RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele.
PAIXÃO é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.
AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tem explicação, esse negócio de amor não sei explicar.
Crónica de Mário Prata
em www.diabetenet.com.br
terça-feira, 1 de maio de 2007
Amazing Monasteries around the World
Have a virtual tour of some of the beautiful and amazing monasteries around the world. The photographer and places are unknown.
What Does Your Birth Date Mean?
| Your Birthdate: November 12 |
You're a dynamic, charismatic person who's possibly headed for fame. You tend to charm strangers easily. And you usually can get what you want from them. Verbally talented, you tend to persuade people with your speaking and writing. You are affectionate and loving, but it's hard for you to commit to any one relationship. Your strength: Your charm Your weakness: Your extreme manipulation tactics Your power color: Indigo Your power symbol: Four leaf clover Your power month: December |
What Does Your Birth Date Mean For Your Love Life?
Your Birthdate: November 12 |
You are certain and confident when you choose to love someone. Even though your romantic choices may be unconventional - you stand behind them. Your friends never know you as well as a romantic partner does. Number of True Loves You'll Have: 4 Number of Times You'll Have Your Heart Broken: 1 You are most compatible with people born on the 3rd, 12th, 21st, and 30th of the month. |
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