sábado, 30 de junho de 2007

Como utilizar o homem

1. Ao abrir a embalagem, faça uma cara neutra : não se mostre muito empolgada com o produto. Se ficar muito seguro de si, o homem não funciona bem, vive dando defeito.

2. Guarde em local fresco (homem com mau cheiro não dá) e seguro (não esqueça que ele é o sexo frágil).

3. Deixe fora do alcance daquela vizinha loira e sorridente. Ela pode fazer um estrago no seu produto.

4. Para ligar, basta dar uns beijinhos no pescoço, pela manhã.

5. Para desligar, providencie uma noite de sexo. Ele dorme feito uma pedra e não diz nem boa noite (falta de educação é um defeito de fábrica).

6. Programe-o para assinar os talões de cheques sem fazer muitas perguntas.

7. Carregue as baterias três vezes por dia : café da manhã, almoço e jantar. Mais do que isso provoca pneuzinhos indesejáveis.

8. Coisas que ele sabe fazer bem ( trocar lâmpada, abrir lata de cogumelos, frascos de azeitonas e maionese, trocar pneu, carregar bolsa, pregar pregos na parede, trocar torneiras, chuveiros e engraxar sapatos)... devem ser estimuladas!

9. Atenção : homem não tem garantia e todas as espécies são sujeitas a efeitos de fábrica, como: deixar toalha molhada na cama, urinar na tampa da privada, deixá-la levantada, fazer bagunça na casa, espalhar as coisas, criticar, reclamar, se auto exaltar, soltar pum em qualquer lugar, beber demais, comer cebola, esquecer datas de aniversário, roncar etc.

Não existe conserto. A solução é ir trocando até que se ache o modelo ideal, e recentes pesquisas informaram que este ainda não foi INVENTADO!!!!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Laurinha - a filha da Olívia!

A Laurinha faz parte de uma banda! Toca lá a ver o vídeo:

Morbid Glamour - My Necro-Homicide

segunda-feira, 25 de junho de 2007



Para si uma relação só se faz com uma grande dose de reciprocidade e entrega. Quando embarca numa vida a dois sente-se motivada e preparada para sobreviver à vidinha do quotidiano.

Tudo o que eu te dou
tu me dás a mim
tudo o que eu sonhei
tu serás assim
tudo o que eu te dou
tu me dás a mim
e tudo o que eu te dou

sábado, 23 de junho de 2007

Rescue



He can't rescue you
can't pull the demons from your head
can't lull you from your sleepy bed
He can't rescue you

He can't protect you
from the powers that will be
the hours of insanity
He can't protect you

He can't change you
change the summers of your beauty
the thunderstorms within your purity
He can't change you

He can't carry you
past the door of every danger
every foe and every stranger
He can't carry you

He can't save you
from the plain and simple truth
the waning winters of your youth
He can't save you

He can't fix you
your tears will always leave their mark
from fears that stay inside the dark
He can't fix you

What can he do
but tie some ribbons in your hair
and show you that he'll always care
thats all he can do.

[Lucinda Williams, West, 2007]

quinta-feira, 21 de junho de 2007

quarta-feira, 20 de junho de 2007

in spite of me



"in spite of me", dos Morphine do album "Cure for Pain"

Last night I told a stranger all about you. He smiled patiently in disbelief. I always knew you would succeed no matter what you tried and I know you did it all in spite of me.

Glad to have known you for the short time that I did. Glad to have been a step up on your way. Glad to be part of you industrious career and I know you did it all in spite of me.

Late last night I saw you in my living room, you seemed to close yet so cold. For a long time I thought that you'd be coming back to me. Those kind of thoughts can be so cruel... so cruel...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Simplicidade

Cada semana, uma novidade. A última, foi que pizza previne câncer do esófago. Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, peraí, não exagere..
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal prá minha saúde.
Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos! Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de ideias!
Brigar, me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago!
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano...
E telejornais... Os médicos deveriam proibir... como doem!
Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna!
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espectacular, uau!
Cinema é melhor prá saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada!

Luís Fernando Veríssimo
Obrigada Olívia :)

domingo, 17 de junho de 2007

Que chocolate és?

You are White Chocolate

You are White Chocolate
You are sweet, caring, and truly very innocent.
Whether your naive ways are a bit of act or not, people like to take care of you.
You are a quiet flirt, and your power is often underestimated!

sábado, 16 de junho de 2007

sexta-feira, 15 de junho de 2007

AINDA HÁ PRÍNCIPES

"Não vêm montados em cavalos brancos, a empunhar espadas e a prometer a morte dos dragões. Vêm por nós. Vêm para nós. Só precisamos de prestar atenção.

O que transforma um homem vulgar no nosso príncipe é ele querer ser o homem da nossa vida. E há alguns que ainda querem.
Se ficou sem consorte no dia de S. Valentim não desespere. Faça como uma amiga minha que quando sai do carro, retoca o baton e diz com uma convicção demolidora «o Príncipe pode estar em qualquer lado». E pode mesmo.
É uma questão de fé, arbitrária e alietória, mas pode acontecer. Até porque nós, os extraordinários, somos poucos, mas andamos por aí. Isto é o que diz outro amigo meu que é mesmo extraordinário e já encontrou a pessoa certa, pelo menos por agora. Foi ele que um dia me explicou o que era esse maravilhoso conceito da pessoa certa.
A pessoa certa não é a mais inteligente, a que nos escreve as mais belas cartas de amor, a que nos jura paixão ou nos diz que nunca se sentiu assim.
Nem a que se muda para nossa casa ao fim de três semanas e planeia viagens idílicas ao outro lado do mundo. A pessoa certa é aquela que quer mesmo ficar connosco. Tão simples quanto isto. Às vezes demasiado simples para as pessoas perceberem. O que transforma um homem vulgar no nosso príncipe é ele querer ser o homem da nossa vida. E há alguns que ainda querem.
Os Príncipes Encantados não têm pressa na conquista porque como já escolheram com quem querem passar o resto da vida, têm todo o tempo do mundo; levam-nos a comer um prego porque sabem que no futuro levar-nos-ão à Tour d' Argent; ouvem-nos com atenção e carinho porque se querem habituar à música da nossa voz e entram-nos no coração devagar, respeitando o silêncio das cicatrizes que só o tempo apaga. Podem parecer menos empenhados ou sinceros que os antecessores, mas o que chamamos hesitação ou timidez talvez seja uma forma de precaução para terem a certeza que não se vão enganar .
O Príncipe Encantado não é o namorado mais romântico que nos cobre de beijos; é o homem que nos puxa o lençol durante a noite para não nos constiparmos e se levanta às três da manhã para nos fazer um chá quando nos dói a garganta. Não é o que nos compra discos românticos e nos trauteia canções de amor. É o que nos ouve falar de tudo, mesmo das coisas menos agradáveis. Não é o que diz Amo-te, mas o que sente que talvez nos possa amar para sempre. Não é o que passa metade das férias connosco e a outra metade com os amigos; é o que passa, de vez em quando, férias com os amigos.
O Príncipe que sabe o que quer, não é o melhor namorado; é o marido mais porreiro. Não é o que olha para nós todos os dias, mas o que olha por nós todos os dias. Que tem paciência para os meus, os teus, os nossos filhos e que ainda arranja lugar para os filhos dos outros. Que partilha a vida e vê em cada dia uma forma de se dar aos que lhe são próximos. Que ajuda os mais velhos a fazer os trabalhos de casa e põe os mais novos a dormir. Que quando está cansado fica em silêncio, mas nunca deixa de nos envolver com um sorriso, Não precisa de um carro bestial, basta-lhe uma música bestial para ouvir no carro, Tem quase sempre um cão, Gosta de ler e sai pouco à noite, porque prefere ficar em casa a namorar e a ver o Zapping, Cozinha o básico, mas faz os melhores ovos mexidos e vai à padaria num feriado.
O Príncipe é Príncipe porque governa um reino, porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e faz-nos sentir importantes.
Claro que com tantos sapos, bem vestidos e cheios de conversa, como é que não nos enganamos? É fácil. Primeiro, é preciso aceitar que às vezes nos enganamos mesmo. E depois é preciso acreditar que um dia podemos ter sorte.
E como o melhor de viver é saber que um dia tudo muda, um dia muda tudo e ele aparece. Depois é deixa-lo ficar... e se for mesmo ele, fica."

Margarida Rebelo Pinto

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Teste

Your Career Type: Investigative

You are precise, scientific, and intellectual.
Your talents lie in understanding and solving math and science problems.

You would make an excellent:

Architect - Biologist - Chemist
Dentist - Electrical Technician - Mathematician
Medical Technician - Meteorologist - Pharmacist
Physician - Surveyor - Veterinarian

The worst career options for your are enterprising careers, like lawyer or real estate agent.

terça-feira, 12 de junho de 2007

mais um...

Que mulher nunca teve
Um sutiã meio furado,
Um primo meio tarado,
Ou um amigo meio virado?

Que mulher nunca tomou
Um fora de querer sumir,
Um porre de cair
Ou um lexotan para dormir?

Que mulher nunca sonhou
Com a sogra morta, estendida,
Em ser muito feliz na vida
Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou
Em dar fim numa panela,
Jogar os filhos pela janela
Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou
Para ter a perna depilada,
Para aturar uma empregada
Ou para trabalhar menstruada?

Que mulher nunca comeu
Uma caixa de Ferrero, por ansiedade,
Uma alface, no almoço, por vaidade
Ou, um canalha por saudade?

Que mulher nunca apertou
O pé no sapato para caber,
a barriga para emagrecer
Ou um ursinho para não enlouquecer?

Que mulher nunca jurou
Que não estava ao telefone,
Que não pensa em silicone
Ou que "dele" não lembra nem o nome?



Só as mulheres para entenderem o significado deste poema!


Estamos em uma época em que:

"Homem dando sopa, é apenas um homem distribuindo alimento aos pobres"

"Pior do que nunca achar o homem certo é viver pra sempre com o homem
errado"

"Mais vale um cara feio com você do que dois lindos se beijando"

"Se todo homem é igual, porque a gente escolhe tanto???"

"Príncipe encantado que nada... Bom mesmo é lobo-mau!!
Que te ouve melhor...
Que te vê melhor...
E ainda te come melhor!!!


Mandem para mulheres que precisam rir, ou para homens
que possam lidar com essa realidade!

Obrigada, Cristina Malta ;)

domingo, 10 de junho de 2007

Conselho

Em África todas as manhãs uma gazela acorda sabendo que se quiser manter-se viva deve conseguir correr mais do que o leão. E todas as manhãs um leão acorda sabendo que se não quiser morrer de fome deve conseguir correr mais do que a gazela.
Por isso já sabe: não importa se você é uma gazela ou um leão, quando o sol nascer deverá começar a correr.

Pensamento do dia

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...."
Nemo Nox

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Isto eu já sabia!!!!......



You Are a Champagne Woman



A true mystery, no one can quite figure you out...

That is, until you start drinking. Then you tend to let loose.

You're fun to drink with, but it definitely takes you a few drinks to loosen up.

You prefer to date a man who likes the finer things in life... like a five star dinner with that champagne.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

terça-feira, 5 de junho de 2007

Pensamento do dia (profundo)

Não trates como prioridade quem te trata como opção...

Female Portraits

500 Years of Female Portraits in Western Art!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

I love chocolate

Women really are hot for chocolate
Sarah-Kate Templeton
For a long time women have compared chocolate to sex. Now doctors have discovered a scientific link between the two.
According to Italian researchers, women who eat chocolate regularly have a better sex life than those who deny themselves the treat. Those consuming the sugary snack had the highest levels of desire, arousal and satisfaction from sex.
The urologists from San Raffaele hospital, Milan, questioned 163 women about their consumption of chocolate as well as their experience of sexual fulfillment.
The study, which will be presented at the European Society for Sexual Medicine in London next month, found: “Women who have a daily intake of chocolate showed higher levels of desire than women who did not have this habit. Chocolate can have a positive physiological impact on a woman’s sexuality.”
Dr Andrea Salonia, author of the study — funded from a university research budget, not by the confectionery industry — said women who have a low libido could even become more amorous after eating chocolate. He believes chocolate could be particularly medicinal for women who shun sex because they are suffering from premenstrual tension.
“Chocolate is not like a food, it is like a drug. Women who suffer mood swings as a result of their menstrual cycle may also suffer a dip in their sexual function. I strongly believe eating chocolate may improve their sexual function,” said Salonia.
The research looked at the lifestyle habits that affect women’s sex lives. It also looked at smoking and coffee consumption but found no links with sexual enjoyment. Some might argue, however, that women who like chocolate are simply more sensually attuned.
I could give up chocolate but I'm not a quitter

Good sex, chocolate and wine and I'll be just fine.
Now if I could only decide on what to wear

It’s safe to have chocolate while you’re driving

You never feel guilty after chocolate

You can make chocolate last as long as you want

You can ask a stranger for chocolate without getting your face slapped

With chocolate, satisfaction’s guaranteed

Strength is the capacity to break a chocolate bar into four pieces with your bare hands,
and then eat just one of the pieces

Giving chocolate to others is an intimate form of communication,
a sharing of deep, dark secrets

A chocolate in the mouth is worth two on the plate

If it ain't chocolate, it ain't breakfast

There's nothing better than a good friend, except a good friend with chocolate

Chocolate satisfies even when it has gone soft

You can have chocolate even in front of your mother

If you bite the nuts too hard the chocolate won't mind

Two people of the same sex can have chocolate without being called nasty names

The word "commitment" doesn't scare off chocolate

You don't get hairs in your mouth with chocolate

With chocolate there's no need to fake it

Chocolate doesn't make you pregnant

You can have chocolate at any time of the month

Good chocolate is easy to find

You can have as many kinds of chocolate as you can handle

You are never too young or too old for chocolate

With chocolate size doesn't matter

Forget love, I'd rather fall in chocolate

It's not that chocolates are a substitute for love.
Love is a substitute for chocolate.
Chocolate is, let's face it, far more reliable than a man.

Man cannot live on chocolate alone, but woman sure can

domingo, 3 de junho de 2007

O Primeiro Amor

É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo.

Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal só porque acaba. Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo.

O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói - porque parece que vai acabar de repente. E o primeiro amor dói sempre demais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte um único bocadinho de nós. Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.

Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado.

É como uma criança que põe os dedos dentro de uma tomada eléctrica. É esse o choque, a surpresa «Meu Deus! Como pode ser!» do primeiro amor. Os outros amores poderão ser mais úteis, até mais bonitos, mas são como ligar electrodomésticos à corrente. Este amor mói-nos o juízo como a Moulinex mói café. Aquele amor deixa-nos cozidos por dentro e com suores frios por fora, tal e qual num micro-ondas. Mas o «Zing!» inicial, o tremor perigoso que se nos enfia por baixo das unhas e dá quatro mil voltas ao corpo, naquele micro-segundo de electricidade que nos calhou, só acontece no primeiro amor.

O primeiro beijo é sempre uma confusão. Está tudo a andar à volta e não se consegue parar. A outra pessoa assalta-nos e deixa-nos tontos, isto apesar de ser tão tímida e inepta como nós. E os nomes dos nossos primeiros amores? Os nomes doem. Parecem minúsculos milagres. Cada vez que se pronunciam, rebenta um pequeno terramoto no equador. E as mãos? Quando a mão entra na mão de quem se ama e se sente aquele exagero de volts e de pele, a única resposta sensata é o assassínio, o exílio, o suicídio. Nada fica de fora. O mundo é uma conspiração cinzenta de amores em segunda mão. Nada é puro fora daquelas mãos. O tesouro está a arder, as pessoas estão a morrer, os olhos cheios de luz estão a cegar, mas o primeiro amor é também, e sem dúvida, o primeiro amor do mundo.

O primeiro amor é aquele que não se limita a esgotar a disposição sentimental para os amores seguintes: quer esgotá-la. Depois dele, ou depois dela, os olhos e os braços e os lábios deixam de ter qualquer utilidade ou interesse. As outras pessoas - por muito bonitas e fascinantes que sejam - metem-nos nojo. Só no primeiro amor.

Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor - é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de poder-mos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltamos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte.

Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer «Alto-e-pára-o-baile», amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores - o preto-preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco-branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras.

Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 - não outro amor como o doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer outra coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair, nem sequer confessar: «Adeus Mariana - desta vez é que me vou mesmo suicidar.» Podem ficar (e que remédio têm) com o savoir-faire e os fait-divers e o «quero com vista pró mar se ainda houver». Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi.

Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida - e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. É um misto de «Livra! Ainda bem que já acabou!» e de «Mas o que é isto? Para onde é que foi?».

Os outros amores são maiores, são mais verdadeiros, respeitam mais as personalidades, são mais construtivos - são tudo aquilo que se quiser. Mas formam um conjunto entre eles. O segundo e o terceiro e o quarto, por muito diferentes, são mais parecidos. São amores que se conhecem uns aos outros, bebem copos juntos, telefonam-se, combinam ir à Baixa comprar cortinados. O primeiro amor não forma conjunto nenhum. Nem sequer entre os dois amantes - os primeiros, primeiríssimos amantes. Acabam tão separados os dois como o primeiro amor acaba separado dos demais. O amor foi a única coisa que os prendeu e o amor, como toda a gente sabe, não chega para quase nada. É preciso respeito e bláblá, compreensão mútua e muito bláblá, e até uma certa amizade bláblá. Para se fazer uma vida a dois que seja recompensadora e sobretudo bláblá, o amor não chega. Não se vive só dele. Não se come. Não se deixa mobilar. Bláblá e enfim.

Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro e esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último.

Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar - do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».

É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro.

Miguel Esteves Cardoso - Os Meus Problemas (1988)