domingo, 20 de maio de 2007

Evitemos a morte em doses suaves

Morre lentamente quem não viaja

Quem não lê, quem não houve música

Quem destrói o seu amor próprio

Quem não se deixa ajudar

Morre lentamente quem se transforma escravo do hàbito

Repetindo todos os dias o mesmo trajecto

Quem não muda as marcas no supermercado,

Não arrisca vestir uma cor nova

Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão

Quem prefere o “preto no branco” e os “pontos nos is”

A um turbilhão de emoções indomáveis

Justamente as que resgatam brilho nos olhos,

Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho

Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho

Quem não se permite, uma vez na vida,

Fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da

Chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo

Não perguntando sobre um assunto que desconhece

E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo

Exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.

Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

1 comentário:

Cristina disse...

Fabuloso!!
O que está a dar é VIVER o melhor possível. A vida é bela.